Pois é!
Chegámos à sexta-feira (finalmente!) que é, sem sombra de dúvidas, o meu dia da semana preferido.
“Porquê?” - Perguntam vocês.
E eu respondo - ”porque a semana de trabalho está a acabar e vêm aí dois (sim, dois) dias inteirinhos de descanso.
Mas, se eu gosto tanto de descanso, porque é que o meu dia preferido não é o sábado, ou mesmo o domingo, devem estar vocês a pensar…
Essa pergunta tem uma resposta simples, mas ao mesmo tempo, complexa. Senão, vejamos:
O fim-de-semana serve para descansar e aproveitar o tempo para estar com a família. Como “a família”, se ficar em casa, vai exasperar e desesperar os paizinhos, o país aproveita e vai ”inundar” os Centros Comercias - sim, os Shoppings - no Inverno, ou as praias no Verão! Até aqui nada de mais, certo, afinal todos têm o direito de sair e divertir-se.
Tal como o resto do país aproveito o tempo para estar com a minha família, por isso, se o fim-de-semana for para ficar em casa e vegetar, ou pouco mais, em frente à televisão, tudo bem. (Embora ao sábado a programação deixe muito a desejar, mas enfim…).
Mas e se eu for a algum lado no fim-de-semana?
Agora chegámos à parte complexa da questão: se o fim-de-semana é bom, está-se com a família, vegeta-se e afins, porque é que não é perfeito?
Pois bem, o fim-de-semana não é perfeito por causa de um flagelo que anda a assolar as estradas portuguesas: os CONDUTORES DE FIM-DE-SEMANA!
Sim, essa espécie tão conhecida das estradas portuguesas está cada vez mais perigosa!
Vamos esclarecer uma coisinha: há vários tipos de condutores de fim-de-semana. Vamos, então, ver quais:
1. - O condutor que é literalmente de fim-de-semana: aquele que só conduz ao fim-de-semana e gosta de conduzir à velocidade vertiginosa de 25 km/h quando vai almoçar ao shopping ou vai para a praia com o cesto das sandes, o rádio a pilhas com o relato e/ou música pimba e a família toda atrás, desde a avó que fala muito alto porque é surda que nem uma porta, passando pelos filhos irritantes e mimados que acham giro atirar areia uns aos outros no meio do pessoal e acertam em toda a gente menos no irmãozinho, a mãe gorda de bikini que decide mostrar os dotes de tenista de praia contra o seu mais-que-tudo, ali mesmo ao pé das toalhas, até ao cãozinho irritante que não pára de ladrar…
2. - O condutor misto: Este é o condutor que conduz durante a semana, muito calmamente (que remédio, é só “bichas” por todos os lados) e ao fim-de-semana decide vingar-se do mundo e conduz como se o mundo fosse acabar daí a dois minutos e ele tivesse mesmo de chegar a casa antes disso… Acautelem-se velhinhas a atravessar e condutores mais incautos, porque ele é o dono e senhor da estrada e se ele quiser passar, nada se pode meter no seu caminho (se se meter, vai na frente).
3. - O condutor constante: este é o pior de todos, porque conduz como se tivesse tirado a carta por correspondência. A estrada é dele e, quando eu digo a estrada, digo-o em toda a sua.. largura. Esta criatura, se for numa estrada de duas vias, como vai a andar depressa, posiciona-se no meio da estrada… (não é o mais lento, nem o mais rápido, por isso mais vale ir no meio..) A minha opinião é que esta criatura deve achar que se deve seguir o risco da estrada e para não o perder de vista, vai por cima dele em vez de escolher um dos lados. Esta espécie sai para a estrada sempre que precisa, sendo que de vez em quando se aventura mesmo durante a semana.
E este flagelo, esta verdadeira epidemia é a única coisa que eu não gosto no fim-de-semana. Por isso, evito sair à rua durante esses dois dias, mas se por acaso tenho de ir a algum lado e tenho de levar o carro, levo o meu equipamento de protecção e, antes de sair tenho uma sessão de meditação de, pelo menos, duas horas para me preparar psicologicamente para o que vou ter de enfrentar a seguir.
Chega a hora de saída, concentrada, vestida com o meu fato protector, avanço, meio a medo, meio destemida (as minhas duas metades lutando entre si), entro no carro e tento desbravar caminho por entre estas espécies em evolução, que cada vez aumentam mais e estão longe da extinção.